segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mais um momento publicitário...

"Eu sou o público,
do café,
das ruas,
da Baixa e dos miradouros.
Sou o público de muitos sítios,
sou o público dos Úrias"
O Público sou eu.

domingo, 13 de setembro de 2009

Neura II

Bem... um dia todo em casa a trabalhar e fiquei outra vez em modo "dói-me os olhos e a casa".

Já dizia o outro: "o trabalho é a praga da classe bebedoura".
Se bem que nada bate o "manifesto" do Vaneigem:
«O trabalho foi aquilo que o homem achou de melhor para nada fazer da sua vida. (...) O estado planetário de ruína, isto a que conduziu a transformação da natureza numa matéria morta, mereceria ilustrar, nos futuros museus da barbárie arcaica, a salutar advertência: "Aprendam a criar, nunca trabalhem"»

Pronto... já estou um bocadinho mais bem disposta.

sábado, 12 de setembro de 2009

Hoje já pode ser...


O dia certo teria sido ontem, mas muitos e muitos anos a fazerem trocadilhos entre o meu dia de anos e os acasos da história, fizeram-me esperar mais um dia...

Aqui fica o senhor e a memória de outro 11 de Setembro...

O que há em mim

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

"O que há, Alvaro de Campos"

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

pequeno Grande Momento...

O sagrado profano - "Israel" e Palestina

Até quando e até onde o sagrado justificará, quando:
- A ocupação se mantém;
- Os colonatos israelitas não param de crescer (mesmo quando publicamente é assumido que isso não acontecerá);
- A guerra é feita de forma desigual e sem respeitar convenções e moralidade;
- A desigualdade de direitos e a discriminação se verifica todos os dias;
- A pobreza do povo palestiniano e o fosso entre estes e os judeus aumenta de dia para dia;
- Um Muro se impõe, com 74 postos de controlo, sendo a média de passagem para um palestiniano de 4horas;
- O apoio dos EUA se mantém e legitima tudo;
- Os acordos de paz nunca perduram;
- O desespero leva à violência dos que perderam tudo inclusive a dignidade,
- E a poesia é algo distante.

"growing up, not growing old"

E para celebrar: duas adaptações...

«E então chegámos aos "24", e os "25" ainda estão para vir,
o tempo passa, a "poesia" aumenta,
a Babilónia vai cair.
"Não" está escuro, mas o sol ainda não se pôs,
"e nós" não vamos descansar, enquanto o Sol não brilhar.
Chegámos à Nova Ordem Mundial, do "movimento" e do "barulho" camuflado,
em que os fins justificam os meios, e no final tudo é revelado.
Quando vejo alguém começar a "sentir", quando vejo alguém começar a "poetizar",
só posso sorrir, não posso evitar.
Para ver o sol brilhar... Sol brilhar...»
(x-acto: Sol Brilhar)

«"24" anos passaram, as "ruas" desconfiadas, a "rotina" à espera de morrer,
nos campos da "poesia", "10" anos passaram,
vejam o que todos procuram esquecer.
Eu não vou esquecer, eu não vou esquecer,
a "ingenuidade" não vai morrer,
"Lembrar, lembrar", tempo de mudar,
Mudar o estado de empatia em que vivem "os outros".»
(x-acto: 50 anos)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A minha rotina e anti-rotina contada pelos Outros



Sozinha na Praça das Flores acho inacreditável como as conversas dos outros se misturam na minha vida. Neste dia, tudo foi uma grande coincidência.

O rapaz na mesa à frente diz que encontrou uns poemas de Pessoa. Mais à frente, dois falam do Tejo Bar, do dono que é artista e da altura em que ainda não iam para Alfama.
À minha esquerda, um engate corre mal. Ele hoje não quer nada, diz para ela ir dormir e descansar.
O gajo que estava a ouvir música vai-se embora, e o "Outro" contínua a ler o Público. O "Pessoa" espera alguém que ainda não saiu do trabalho. Os dois músicos ficam à conversa já fora da esplanada.
A palavra revanchista aparece pela segunda vez na minha vida esta semana, mas agora no Público.
O engate falhado é substituído por um grupo; 1 deles vai a Berlim, mas a Ilha dos Museus continua em obras. Diz que está sempre em obras, e eu concordo.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

1852

"Um romance trágico contado em três actos que narra a história de Violeta, cobiçada cortesã Parisiense, e do seu amor impossível pelo jovem Alfredo Germont. A intensidade da narrativa e a sua densidade sentimental constituem um marco, sendo esta a grande ópera de Verdi."

La Traviata (...A Dama das Camélias de Alexandre Dumas - filho)

domingo, 6 de setembro de 2009

Neura

"Dói-me a barriga e a Praça das Flores"

Fernando Pessoa 2.0

sábado, 5 de setembro de 2009

Primeiro seguidor

Temos o Sami como seguidor,
Seja ele lá quem for.
Faça forwards como quiser,
Ficamos à espera do que tem para dizer.

Essencia sofrêga

Ela assumiu que andava irritável nos últimos tempos, o tango animava-a mas não mexia o suficiente com ela. Precisava de alguma coisa que a atiçasse, que mexesse com o mais íntimo que nela existe-se.
De noite algo mudava, de dia algo a fazia acordar, mas ao fim de cada dia algo permanecia vazio.
O encontro entre ela e a felicidade era como um jogo de toca e foge, em que só por breves instantes ela conseguiu sentir o seu real prazer.
Algo tinha que mudar e tinha que começar nela, acordou e arrependeu-se, mas finalmente resolveu viver.
E foi ai que aconteceu. Vislumbrou um movimento solto, real e verdadeiro. Queria sentir o mesmo.
Na leveza do sentimento, na não procura do acontecimento, no estar estonteante, o som ressoou. E ela despertou.
Mas o seu despertar era sempre violento, mais do que aquilo que ela conseguia suportar, na verdade o mais difícil era ter a consciência que não ia sonhar mais até ao fim do dia.
Saiu à rua numa atitude sôfrega de absorver tudo o que via, cheirava, tocava e sentia.
E no enlevo da consciência, ela sabia que não podia, mas no seu subconsciente a fera já tinha despertado. No inicio ainda tentou controlar o seu instinto, desistiu, era mais forte que ela (e devo dizer que quem ficou a ganhar foi ela própria ao encontrar as mais diversas fontes de prazer até que numa delas apareceu a felicidade).

Irmãos Úria

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vamos fugir?

"Sou um evadido. Logo que nasci fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi..."


Fernando Pessoa

Sami ou a época dos enters

Dizem que sim

"Não só quem nos odeia ou nos inveja
nos limita e oprime; quem nos ama
não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
de afectos, tenha a fria liberdade
dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
é livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses."

Fernando Pessoa

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

SItuacionistas

Após a leitura de um texto situacionista...

A questão que se coloca é se temos de subverter a vida para conseguir viver "subversivamente".
Ou seja, se o caos precede a vida ou a vida o caos:
Assumindo que para subverter a vida temos de gerar a desordem e a revolução, e se esta revolta for essencialmente como uma destruição mental de convenções; entende-se que o precedente está na vida subvertida.
Mas.. se simultâneamente o viver "subversivamente" se baseia na subversão da rotina e das suas condições primárias de limitação da própria vida, voltamos ao início que também pode ser o fim.

O importante é assim definir se às palavras deve ser dado o mundo, ou se o mundo deve ser dado às palavras.
" A revolução pela arte ou a arte pela revolução?"

(digam o que quiserem mas eles cuspiam as palavras como poucos conseguem)

E pela primeira vez...

a espontaneidade.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Outra cidade, outra poesia

Ficar encantada com o mar, à luz maravilhosa de Setembro e o calor de um dia de Agosto.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Poesia perfeitamente inacabada

"A poesia também pode ser isso:
a dor com que não durmo lavrado completamente "

Em http://atrama.blogspot.com/
Por ocasião da chegada do livro "Ou o poema continuo" de Herberto Helder

Brevemente, mais citações.

Teimosia, quase arrogância

Eu não sou igual a ti, tu não és igual a mim, Eu não sou igual a ti, tu não és igual a mim.